13 novembro 2014

Muito agradável e típico esse Santa Helena Vernus Pinot Noir 2010


Gostamos de Pinot Noir aqui em casa. Não interessa muito de que país venha, pois gostamos de experimentar todos, mesmo que os vinhos do Novo Mundo não se pareçam com os vinhos da Borgonha, região mais prestigiosa para essa uva. Não somos puristas, portanto. 

Esse Pinot é elaborado pela gigante Viña Santa Helena, fundada em 1942 e que é a "maior exportadora de vinhos do Chile", segundo consta do próprio site da vinícola. Estivemos por lá em 2011 e o lugar é realmente lindo. 

O vinho é rotulado como varietal de Pinot Noir, mas essa uva representa 90% do líquido, porque o restante está dividido entre 5% de Cabernet Sauvignon e 5% de Syrah, provavelmente para dar mais estrutura ao vinho, que passa 10 meses em barricas de carvalho francês de segundo uso. A utilização de madeira usada significa que o enólogo não deseja tanta interferência do carvalho, como ocorreria se as barricas fossem de primeiro uso.  

Interessante que a Pinot Noir vem do Vale de Casablanca, região ideal para uvas que gostam de clima mais frio, mas as outras coadjuvantes vêm do Vale do Maipo, mais distante do Oceano e mais indicado para uvas tintas de maior estrutura.

A bonita entrada da Santa Helena. Foto: Divulgação.

Na taça a cor é grená, com boa transparência, como deve acontecer com vinhos dessa variedade. Lacrimoso, indicando a potência alcoólica do vinho (14,3% de teor). Os aromas são intensos, lembrando frutos silvestres, cerejas, mas uma boa complexidade com as notas tostadas da madeira, mas também folhas secas, especiarias e musgo. Gostei!

Na boca percebe-se que o álcool realmente dá ao vinho uma potência maior que o normal para essa uva. Presença de notas adocicadas, com acidez moderada e taninos macios. Parece ideal beber o vinho agora, com 4 anos, mas se esperar um pouco mais de tempo talvez ganhe em complexidade. Final mediano, com presença vegetal, frutos silvestres e um pouco de álcool aparecendo.  

Dicas: A primeira impressão no nariz é de uma ponta de álcool sobrando, então uma aeração de uns 20-30 minutos antes de servir é uma boa indicação. A temperatura também influencia nessa percepção, então você pode deixar o vinho um pouco mais resfriado que o normal para tintos. Aqui deixamos por volta dos 13º C e melhorou consideravelmente.

É um vinho versátil na harmonização, como aves, carne suína e em casa testamos com alguns queijos de massa mole. Ficou muito bom com Maasdam, aquele queijo holandês feito com leite de vaca, que também tem notas adocicadas e frutadas. Ficou show!

Não fosse o álcool, teria uma avaliação bem melhor. 


Detalhes da compra:   

Esse vinho foi "esquecido" em casa pelo amigo Marcel Gussoni (Sabor Sonoro), a quem fico devendo - de público - uma garrafa de Pinot Noir. Em lojas virtuais é encontrado na faixa dos R$75, assim como os demais vinhos da linha Vernus. 

Saúde a todos!



Um comentário:

marcel gussoni disse...

Mestre,
prazer esquecer o vinho por aí, sei que foi degustado com prazer e em boa companhia.
No mais, nesse quesito esquecimento, aindo saio no lucro não é mesmo? ;)

Abraços
Marcel