20 novembro 2014

Tem jeitão de Bordeaux, mas é brasileiro: Bueno Paralelo 31 2011


Para participar de mais uma edição do Wine Bar, que aconteceu no dia 17 de novembro, recebi em casa dois vinhos elaborados pela Bueno Wines, projeto do apresentador Galvão Bueno que já teve vinhos comentados aqui. Foram enviados dois tintos, um brasileiro e outro italiano, comentados pelo enólogo Roberto Cipresso, o novo winemaker à frente do projeto, que já teve o polêmico Michel Rolland no comando.

Cipresso é natural do Vêneto, mas começou sua carreira de enólogo na Toscana, em Montalcino, trabalhando com importantes produtores da região. Fundou em 1999 a Winemaking, consultoria agronômica e enológica para atender vinícolas na Itália e em outros países. Já foi eleito o "Melhor Enólogo Italiano" (2006) e na categoria "Comida" já foi considerado o "Homem do Ano", em 2008, pela revista Men's Health.

Quanto ao vinho, confesso que não foi surpresa pra mim constatar sua qualidade na taça, porque o corte bordalês que utilizam alia a potência dos vinhos da Campanha Gaúcha com a elegância dos vinhos franceses. É gastronômico e com algum potencial de guarda, repetindo o resultado que encontrei ao degustar a safra 2010 desse mesmo vinho (relembre). 

Como disse, o vinho é um corte (assemblage) de três uvas típicas dos vinhos de Bordeaux: Merlot, Cabernet Sauvignon e Petit Verdot, com passagem de 12 meses por barricas francesas e americanas. Não sei ao certo o percentual, mas a Merlot predomina nesse corte, certamente dando mais elegância ainda ao vinho. 

Na taça a coloração é púrpura. Aromas em boa intensidade. Início com destaque para a madeira, mas depois de um tempo de aeração frutos vermelhos e negros aparecem bem nítidos, assim como uma pitada de condimentos, pimenta do reino, talvez, chocolate e tabaco.  

Corpo mediano, com boa presença da madeira, com seus tostados elegantes e baunilha. A fruta fica meio escondida, mas sem que o vinho seja daqueles em que só a madeira impera. Taninos presentes, mas não tão rascantes, já amaciados pelo tempo. Acidez mediana. É seco, sem notas adocicadas. 


Pra quem gosta de Bordeaux e não pode/quer pagar mais de $100, esse vinho é uma opção interessante, pelo preço, pelo resultado que entrega e por sua capacidade de evoluir na taça, acompanhando comida. Certamente irá muito bem com queijos fortes, mas na noite que degustamos o vinho a Érika fez um filé em crosta de ervas, shiitake e vinagrete de banana. Veja a foto e imagine se ficou bom!


Detalhes da compra:

Recebi esse vinho para participar da degustação virtual, mas na loja virtual da Miolo, parceira técnica da Bueno Wines custa R$89,48 (veja aqui). Mas, já comprei em outros sites a safra anterior por bem menos que isso. Tomara que isso aconteça também com esse 2011. 

Saúde a todos!





3 comentários:

Gustavo disse...

Interessante como cada um tem seu paladar e gosto, não curti muito este corte do Paralelo 31.
Acho ele um vinho bem feito e só, me parece faltando algo mais.

Abraço e bons vinhos!
@GusBelli

Rodolfo Saldanha disse...

Vinho q aparenta ser proveniente de videiras novas, plano, sem complexidade. Bem feito, mas sem despertar paixões.

Anônimo disse...

Mais um vinho brasileiro três estrelas. Infelizmente ainda podemos degustar equivalentes melhores principalmente os chilenos.