19 dezembro 2014

Ficando em dia com a Confraria: Monte del Frá Valpolicella Classico Superiore Ripasso 2009 #CBE


Esse é mais um post para que esse blogueiro fique em dia com a querida Confraria Brasileira de Enoblogs, fundada em fevereiro de 2007 e até o momento a primeira e única confraria virtual do Brasil. 

O vinho de hoje deveria ter ido ao ar no dia 1º de setembro, mês cujo tema foi sugerido pelo confrade Alexandre Takei, do blog Notas Etílicas. Ele determinou: "tema Valpolicella. Vale tudo, do clássico ao ripasso, amarone, recioto...". 

Tenho a impressão que a maioria dos consumidores brasileiros torce o nariz quando lê ou ouve o nome Valpolicella. Isso é fruto de experiências ruins que todos nós já tivemos com vinhos genéricos que nos chegaram dessa importante região do Vêneto desde há muito. Mas, se você é um desses, penso que é preciso romper essa barreira e começar a experimentar os ótimos vinhos que estão à disposição no atual mercado brasileiro. 

Valpolicella é uma sub-região do Vêneto, localizado no nordeste da Itália, sendo a oitava maior região do país abrigando importantes cidades como Veneza, Verona e Pádua. Em termos vinícolas o Vêneto possui 14 DOCG, dentre elas Amarone della Valpolicella e Recioto della Valpolicella e 27 DOC, dentre as quais Valpolicella e Valpolicella Ripasso (veja um mapa aqui). 

Escolhi um Ripasso, vinho cuja elaboração, vista de forma simplificada, acontece da seguinte forma: as cascas das uvas que "sobram" da elaboração de um Amarone ou Recioto são acrescidas ao vinho Valpolicella recém fermentado. Depois de um período de 10-15 dias o resultado é um vinho com mais cor, corpo e aromas. As uvas utilizadas tradicionalmente são corvina, molinara, rondinella e corvinone.

O produtor é a Azienda Agricola Monte del Frá, cuja sede está a aproximadamente 15 km de Verona, onde em 1958 teve início a história da vinícola que atualmente possui cerca de 140 hectares de vinhedos. Elabora vinhos tintos, brancos, espumantes, vinhos doces, azeite e grappa. Esse Ripasso estagiou durante 18 meses em barricas de carvalho francês. Tem 14% de álcool. Foram utilizados 20% de uvas rondinella e os outros 80% entre corvina e corvinone.  


Na taça a coloração é rubi, translúcido. Ótimos aromas, frutos vermelhos, cereja, algumas especiarias discretas. Em boca tem corpo médio, muita fruta, notas adocicadas, taninos finos e boa acidez. Bom equilíbrio entre acidez, álcool e dulçor, resultando em vinho muito agradável e gastronômico. 

Final longo, frutado, levemente adocicado, sem ser enjoativo. A presença da madeira dá um toque especial ao estilo desse vinho. A harmonização que imaginei foi com queijos maduros. Testei com parmesão e o resultado foi muito bom, mas nem tanto com gorgonzola. Embora não tenha harmonizado no dia, imagino que se dará muito bem com uma costela suína. 

Esses vinhos não são baratos, mas você pode comprá-los para conhecer o estilo dos vinhos elaborados com adição de uvas "passificadas", sem gastar tanto com uma garrafa de Amarone.  


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela Domno do Brasil e pode ser comprado aqui em Minas Gerais na faixa dos R$120-130. Mas, dependendo da situação tributária de seu estado, pode sair mais barato que isso. 

* Esse é o 97º vinho que comento para a gloriosa CBE.

Saúde a todos! 



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