31 dezembro 2014

Gosta de harmonizações pouco comuns? Veja essa que fizemos com o Domaine Laroche Chablis AOP 2012 #CBE


Estive em débito com meus confrades da Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE, mas prometi colocar os textos em dia ainda em 2014 e com essa publicação cumpro meu objetivo, esperando que no próximo ano as postagens não se acumulem tanto. 

O tema "Chablis, qualquer faixa de preço e qualquer classificação" foi escolhido pelo confrade Marcello Galvão, do blog Agenda de Vinhos, e deveria ter sido publicado em 1º de julho. 

Para lembrar, esses vinhos são elaborados com uvas 100% chardonnay, com ou sem passagem por barricas de carvalho, na região francesa de Chablis, localizada no norte da Borgonha. Seu reconhecimento legal como AOC (hoje AOP) aconteceu em janeiro de 1938.

Os vinhos dessa região, em virtude do solo pedregoso e em muitos casos repleto de ostras fossilizadas, tem uma característica marcante de mineralidade, distanciando-se dos chardonnay extremamente frutados e tropicais do Novo Mundo. Além disso, têm grande acidez, provocando na boca a necessidade de acompanhamento. 

Há quatro classificações na região: Petit Chablis, criada em janeiro de 1944 para designar os vinhos mais simples ali elaborados e cujos vinhedos estão localizados em áreas mais periféricas da região. São mais simples, leves e jovens, de preço mais acessível; Chalis AOP, a mais extensa das denominações, com vinhos de qualidade superior à classificação anterior, mas ainda básicos; Chablis Premier Cru, um grupo bem restrito formado por apenas 17 produtores, cujos vinhos trazem no rótulo a indicação do vinhedo autorizado; e a mais alta gama de vinhos, Chablis Grand Cru, formada por sete vinhedos localizados em uma única colina perto da cidade de Chablis. Esses vinhos são dos poucos que passam por carvalho para ganhar complexidade e corpo, sem abrir mão da acidez, podendo estar em plena forma com 15-20 anos de idade. Obviamente, são os mais caros dentre todos. 

Mapa com as classificações de Chablis. Fonte: Vins de Bourgogne.

Vamos ao vinho de hoje: é elaborado pelo Domaine Laroche, cuja história tem início em 1850 na região de Chablis, na Borgonha, mas expandiu-se para elaboração de vinhos no Sul da França e além das fronteiras europeias, no Chile e na África do Sul. Em nosso vizinho sul-americano elaboram pinot noir, chardonnay e sauvignon blanc, no Vale de Casablanca, além de um carmenère (Vale de Colchagua) e um cabernet sauvignon (Vale do Maipo).

Na taça o vinho tem coloração amarelo palha, com reflexos esverdeados. Aromas intensos, frutos brancos maduros, notas cítricas e discreto mineral. Esperava mais mineralidade para um Chablis, mesmo sendo mais simples como esse. Na boca tem corpo leve, fruta cítrica mais abundante, boa acidez, a mineralidade continua discreta, mas aparecendo mais que no nariz.

Final persistente, com palato marcado pela citricidade e notas de mel em segundo plano. Aqui as notas minerais apareceram em maior intensidade. Detalhe importante: a uma temperatura mais alta a complexidade aumenta. Se servido muito gelado pode mascarar as boas características do vinho.

Não tem passagem por madeira, mas fica seis meses em tanques de inox para ganhar mais equilíbrio. Também é filtrado levemente na tentativa de preservar as características da fruta. O álcool a 12% deixa o vinho mais delicado e menos potente como o nosso costume aqui pela América do Sul.


Harmonização: 

Para quem é goiano ou mineiro, o pequi é uma iguaria que se come desde criança. Mas, se você não é da região provavelmente vai ter dificuldade com a comida. Primeiro porque o aroma exótico chega a espantar algumas pessoas da cozinha, embora seja muitíssimo agradável. Ao comê-lo é necessário cuidado, porque seus caroços têm espinhos logo abaixo da polpa, então não é indicado que se vá com muita sede ao pote. Quem não se lembra do episódio em que o senador Saturnino Braga (RJ) teve que retirar mais de 40 espinhos da língua ao comer uma galinha com pequi, em Pirenópolis (GO)?

Pois bem. Aqui em casa a Érika nos surpreendeu ao fazer um arroz com frango e pequi, mas sem usar os frutos, apenas o caldo que tinha sobrado do dia anterior. Aliás, tínhamos falado justamente sobre a possibilidade de um risoto com pequi e ela veio com essa improvisação sensacional, que harmonizou-se perfeitamente com o Chablis.

Que me perdoem os mais sofisticados, mas até parece que Pequi e Chablis nasceram um para o outro!!!    


Detalhes da compra:

Esse vinho é importado pela World Wine, mas comprei a garrafa no início de novembro, pagando R$116, no site da Wine

* Esse é o 101º vinho que comento para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE e o 959º desde o início do blog, em 2006. 

Saúde a todos e feliz 2015, com muitos momentos que mereçam uma taça de vinho!




2 comentários:

Marcello Galvão disse...

Excelente postagem Gil! Muito interessante a harmonização! Saúde e um feliz 2015!

Vinho para Todos disse...

Valeu, Marcello.

Me desculpe pela demora em publicar sua indicação, mas "antes tarde do que nunca", como dizem...

abraço!