08 dezembro 2014

Lanternas francesas :: A outra França...

Vista de St. Emilion. Foto: Alessandra Pontes.

Abrindo o baile dos vinhos franceses, suas histórias e personagens, quero agradecer ao blog este agradável espaço e oportunidade de trocas.

A França dos paradoxos! Das grandes AOPs (Apelação de origem protegida - nova denominação que é o mesmo que AOC) como Bordeaux, Bourgogne, Champagne... às apelações mais intimistas comme Jura, Savoie até os originais Irouléguy e companhia.  Os vinhos franceses são, para muitos, uma instituição acima de classes... complicados (e caros) demais, misteriosos, só sendo realmente apreciados por iniciados. Já chega desse filme!

Certo, a notoriedade dos Grands Crus de Bordeaux e Bourgogne forjaram a ideia de néctar de luxo, eles foram e ainda representam uma locomotiva para o resto da viticultura hexagonal. Mas, com a diminuição do consumo de vinhos pelos franceses, a crescente demanda do mercado mundial e a alta em quantidade e qualidade dos vinhos do « novo mundo », essa locomotiva tem se tornado uma faca de dois gumes para os produtores de vinhos mais acessíveis.

O primeiro exemplo que podemos tomar é o da polêmica região de Bordeaux. A imagem dos Grands Crus de Bordeaux, cujos diversos châteaux e marcas se tornaram produtos que têm mais relação com uma escandalosa especulação mundial do que com sua própria qualidade – incontestável! -, se tornaram um grande bloqueio para algumas apelações que não estão no primeiro plano midiático, mas que produzem excelentes vinhos de boa fatura. 

Penso nas regiões de Blaye, Bourgs, os satélites de Saint Emilion, os próprios Médocs, Bordeaux e Bordeaux Supérieurs. A diversidade desses vinhos é muito interessante porque há uma leva de novos e antigos produtores apaixonados que estão lutando pra que a imagem dos Bordeaux seja libertada dessa imagem de vinho uniformizado que se dá hoje à região.

As histórias são muitas, « viticultores jardineiros », vinhos de garagem, vinhos simples e vinhos confidenciais... espalhados por toda a região. Por isso, proponho que façamos por partes: uma série de cinco artigos sobre essa Bordeaux acessível, que podemos degustar … sem frescura!

Saúde e à bientôt!



4 comentários:

Anônimo disse...

Olá caro Gil, boa noite. Como perdi o sono, pois está um calor danado aqui em BH, resolvi dar uma passada por aqui. Estava de férias, portanto somente agora estou atualizando as leituras dos seus posts. Muito boa essa nova aquisição para o blog. Gosto muito dos vinhos franceses, em especial, os Bordeauxs. Estive passeando pela região em 2010 e tive a oportunidade de visitar algumas vinícolas e trouxe algumas garrafas, tais como: Château Fonréaud, 2005, Listrac-Médoc; Château Marquis D'alesme, 2006, Margaux; Château des Laudes, 2008, Saint Emilion; Todos adquiridos direto na propriedade, sendo que este último se encaixa muito bem no conceito apresentado pela Alessandra, pois é uma pequena vinícola situada nos arredores de Sanit Emilion. Por sorte, estou com essas garrafas guardadas até hoje, esperando uma oportunidade para degustá-las. No mais, ficarei aguardando os próximos textos para poder aprender um pouco mais da região e “matar” a saudade desta viagem que foi inesquecível. No mais, um FELIZ 2015 a todos. Ronan.

Anônimo disse...

Oi Gil, esqueci de outro vinho que adquiri por lá, o Château Paloumey, 2006, Haut-Médoc; Quem sabe a Alessandra tece algum comentário, como por exemplo, indicando até um bom período de guarda para estes vinhos, para melhor aproveitá-los (rsrsrs...).

Abraço,

Ronan

Vinho para Todos disse...

Amigo Ronan,

agradeço pelo comentário. Certamente a Alessandra vai considerar suas observações.

forte abraço!

Alessandra Pontes disse...


Olá Ronan,

Marquis d’Alesme, 3° G Cru classé Margaux, tem uma reputação meio sofrida e só recentemente (2006, eu acho ) com a mudança de proprietários é que esse cru passou a produzir vinhos mais… diferentes. Mas, é um château a se esperar o que vai dar as atuais safras com a mudança de equipe e o esforço que estão fazendo pra dar ar novo à propriedade. Degustei o 2005 em 2012 e achei fechado, austero demais e faltando volume. Eu não sei se o tempo poderia trazer mais « coerência » a esse vinho e , portanto, 2005 foi uma safra mítica em Brdx… A esta altura, visto o contexto desse château, penso que você não perderia nada em degustar seu 2006, agora ou no próximo ano.

Château Fonréaud , esse Listrac, uma apelação portanto tão interessante, mas, assim como a vizinha Moulis, meio apagada pelo renome dos prestigiosos vizinhos. Degustei ano passado o 2009. Segundo minhas anotações, achei surpreendente porque no primeiro nariz, foram os aromas de barrica que me marcaram. Mas, depois de aeração, as frutas chegaram, frutas maduras, especiarias que identifiquei como cravinho (sem excesso), na boca, anotei uma entrada viva, taninos ainda bem jovens mas em perfeita concertação com um frescor marcante e uma final marcada pelo calor mas também notas de torrefação. Enfim, muito interessante, guardaria uns 10, 12 anos esse vinho. O branco deles, , Le Cygne, é uma bela peça que surpreende.

Château des Laudes, infelizmente ainda não degustei. Conheço a reputação, sei que são pequenos e dinâmicos. Quando resolver abrir sua garrafa, mande lá suas impressões !

Obrigada e aquele abraço !