22 fevereiro 2015

Minha viagem à Argentina e o que vi no AWA 2015


O evento mais importante para o vinho de nossos vizinhos é o Argentina Wine Awards, que nesse ano teve como tema a “visão das mulheres” sobre a indústria e o mercado vitivinícola mundiais, conforme anunciado aqui no blog em dezembro (relembre). Por alguns dias doze juradas avaliaram 671 amostras de 137 bodegas diferentes, representando as quatro regiões produtoras do país: Salta, San Juan, Mendoza e Patagônia. 

Tive o prazer de presenciar as atividades do evento em viagem recente que fiz à Argentina a convite do órgão encarregado de divulgar o vinho do país mundo a fora: Wines of Argentina. Através do André (Deco) Rossi, seu representante no Brasil, recebi o honroso convite e fui acompanhada pelos jornalistas Bruno Agostini e Marcel Miwa, ótimas companhias e com quem aprendi muito durante essa viagem.    

Bem. No dia 13 de fevereiro as atividades do evento começaram às 8 da manhã, com seminário intitulado “vinos y estilos exitosos”, sendo degustados vinhos da Itália, Nova Zelândia, Estados Unidos, Chile e França. Para cada vinho degustado houve uma breve explanação sobre um determinado tema pelas integrantes da mesa, as doze juradas que representam vários setores do vinho em seus respectivos países.

Mesa do seminário, com Suzana Barelli ao centro e Jancin Robinson, à direita da foto

Quem representou o Brasil foi a amável Suzana Barelli, jornalista especializada em vinhos e gastronomia e editora da Revista Menu. Em seu grupo de degustação para a escolha dos melhores vinhos do evento esteve a mais importante jornalista de vinhos do mundo, a britânica Jancis Robinson, que também a acompanhou no seminário. 

Durante todas as palestras foram apresentadas as visões de mercado de cada país, com foco nas tendências e a possibilidade de participação e entrada dos vinhos argentinos. O que mais chama atenção em todos esses dias na Argentina, seja inúmeras visitações e mesmo durante o AWA 2015, é que o mercado está sedento por novidades e dentre esses novos desejos do consumidor estão os vinhos menos estruturados, menos carregados em madeira e menos alcoólicos. Uma tendência que acompanha o amadurecimento de qualquer mercado.

Aliás, tive oportunidade de estar ao lado de grandes personalidades do vinho e sentir o quanto um mercado é aquecido quando o vinho faz parte da cultura do país.  

Também é digno de nota o fato de que a Argentina vem fazendo ótimos cabernet franc e petit verdot, que antes eram meras coadjuvantes da sua principal uva, a malbec, ou apareciam apenas na composição de blends, mas agora são grandes apostas em vinhos varietais (uma só uva).

Na mesma noite fomos à premiação dos melhores de 2015, na Bodega Trivento. E, depois de ter degustado 279 vinhos durante a viagem, tivemos a certeza de que muitos dos nossos preferidos estariam ali. Apenas para deixar registrado esses quase trezentos vinhos foram degustados tecnicamente, ou seja, ninguém saiu embriagado das degustações e em posts futuros contarei mais sobre as várias visitas que fizemos nesses dez dias.

Os vinhos premiados com os "troféus" do AWA 2015

Na manhã seguinte provamos os vinhos que foram merecedores de troféus, os mais representativos do evento, divididos em categorias e também por faixa de preços, que abaixo estão arredondadas para facilitar a leitura. Foram eles:

Categoria espumante: 
- Ruca Malen Brut.

Categoria chardonnay:
- Finca la Escondida Reserva Chardonnay 2014 (entre 7 e 13 dólares).
- Salentein Single Vineyard Chardonnay 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria bonarda:
- Cadus Single Vineyard Finca las Tortugas Bonarda 2013 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria malbec:
- Séptima Obra Malbec 2012 (entre 13 e 20 dólares).
- Riglos Quinto Malbec 2013 (entre 20 e 30 dólares).
- Casarena Single Vineyard Malbec – Jamilla’s Vineyard – Perdriel 2012 (entre 30 e 50 dólares).
- Zuccardi Aluvional Vista Flores Malbec 2012 (acima de 50 dólares).

Categoria petit verdot:      
- Decero Mini Ediciones Petit Verdot – Remolinos Vineyard 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria cabernet franc:
- La Mascota Cabernet Franc 2013 (entre 20 e 30 dólares).
- Salentein Numina Cabernet Franc 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria cabernet sauvignon:
- Proemio Reserve Cabernet Sauvignon 2013 (entre 13 e 20 dólares).

Categoria tannat:
- Serie Fincas Notables Tannat 2012 (entre 30 e 50 dólares).

Categoria red blend:
- Sophenia Synthesis The Blend 2011 (acima de 50 dólares).

Tanto pra mim quanto para meus companheiros de viagem o melhor vinho dentre os premiados foi o petit verdot, da Finca Decero, bodega de Mendoza.

Além desses vinhos que receberam troféus, foram distribuídas medalhas de ouro para 19 vinhos, medalhas de prata para 193 produtos e 369 medalhas de bronze. Para conhecer todos os vinhos premiados, clique aqui.

Tim-tim!

Meus companheiros de viagem: Bruno Agostini, Marcel Miwa e Déco Rossi. 

Com a jornalista Suzana Barelli, editora da Revista Menu 

Degustação de dez rótulos premiados no AWA 2015



4 comentários:

Ale Esteves disse...

Erika, adorei os relatos da viagem e a lista dos vinhos. Vou procurar muitos deles para provar.
Eu já degustei esse Finca Decero, realmente muito bom.
Parabens pelo post e pelo convite, que seja o primeiro de muitos.
Grande abraço,

Ale Esteves
www.alessandraesteves.com.br

Le Vin au Blog disse...

Oi, Érika!
Adorei a sua viagem, suas fotos e espero ansiosa os demais posts. Deve ter sido uma experiência e tanto.

Acho que mesmo provando "tecnicamente" os vinhos eu não teria estrutura para uma viagem assim. 279 vinhos não é para fracos! :)
Bj.
Rafaela

Érika Mesquita disse...

Ale,

fico feliz que tenha gostado do post, foi bom perceber que a Argentina tem muito mais que bons Malbec. E que a percepção do mercado de vinhos para o novo mundo vem mudando seus conceitos.

espero que seja a primeira de muitas e que numa dessa a gente se encontre.

bjos.

Érika Mesquita disse...

Rafinha,

sua opinião é muito importante pra mim, fiquei feliz que gostou. Foi uma boa experiência, mas confesso que é quase uma loucura provar mesmo que "tecnicamente" todos esses vinhos. O cronograma é puxado e mesmo tendo muito bônus, existe um grande ônus.

bjos!