01 fevereiro 2015

Recomendadíssimo vinho branco chileno na casa dos R$65: Tunquen Sauvignon Blanc 2012 #CBE


O ano para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE começa com uma indicação perfeita para esses dias de muito calor: um sauvignon blanc, de qualquer país ou faixa de preços. A escolha foi do confrade Alexandre Frias, editor do Diário de Baco e do Enoblogs

Para mim não poderia ser mais oportuno, porque desde novembro estou com esse vinho na adega esperando uma boa oportunidade para abri-lo. Foi o vinho que ganhei por "traduzir o espírito" de uma expressão em inglês que dava nome a um dos painéis que estava sendo realizado pelo Winebar com o MOVI - Movimento dos Vinhateiros Independentes do Chile (veja como foi). 

Assim, a garrafa chegou às minhas mãos gentilmente enviada pelos brasileiros Marcos Attilio e Angela Mochi, que estão à frente do projeto Tunquen Wines, no Vale de Casablanca. Ambos são formados em Engenharia de Alimentos pela Unicamp e antes de iniciarem esse desafio conduziram outros projetos no mundo do vinho e da gastronomia, pois foram proprietários de restaurante, loja de vinhos e importadora. Essa experiência foi crucial para determinarem o perfil dos vinhos que gostariam de elaborar.

Definiram, por exemplo, que seus vinhos são feitos para a mesa e devem ter vocação gastronômica. Por isso, a escolha do terroir foi fundamental, porque um vinho complexo e gastronômico só poderia vir de uvas com "amadurecimento lento", o que é possível no Vale de Casablanca.

Também não utilizam barricas novas nos vinhos tintos e a elaboração de lotes muito pequenos permite ao casal estar à frente de todas as etapas da vinificação. Essas escolhas os tornaram aptos a integrar o MOVI, algo que somente é possível com a aprovação dos demais integrantes. 

Os vinhateiros Marcos Attilio e Angela Mochi. Imagem: www.tunquenwines.com 

Foram elaboradas apenas sete barricas de 300 litros (aço inox) desse vinho, o que dá aproximadamente 2.800 garrafas de 750 ml, uma produção realmente muito pequena mesmo se comparada a outras bodegas de pequeno porte. Não houve passagem por barricas de carvalho, apenas um contato mais prolongado do vinho com as borras da fermentação até o engarrafamento, o que proporciona complexidade. 

Na taça a coloração é amarelo palha. Os aromas têm boa intensidade e a principal lembrança é de folha de tomate, bastante comum nos sauvignon blanc. Mas, a variação de temperatura trás outras notas aromáticas, como aspargos, especiarias e notas minerais típicas do solo de Casablanca. Uma boa complexidade para um vinho sem madeira.

Na boca é leve, embora o álcool (13,5% de teor) transmita a sensação de ser mais encorpado. Tem ótima acidez, mineralidade muito presente e certamente é um vinho para acompanhar comida. Não é tão simples que sirva apenas para bebericar. Final de longa duração, mineral e vegetal no palato, com a boca salivando em virtude da acidez.

Essas características aromáticas são enjoativas em muitos, mas muitos sauvignon blanc do Novo Mundo, especialmente chilenos. Porque em determinado momento parecem aquele "samba de uma nota só". Mas esse vinho evolui na taça, muda constantemente dependendo da temperatura, e acaba sendo assunto para quem o está degustando.

Gostei muito do vinho, da proposta e do preço. Recomendo!     


Detalhes da compra:

O vinho é importado para o Brasil pela Vinhos Paraíso, de Belo Horizonte, e vendido no varejo na faixa dos R$ 65, segundo me informou Angela Mochi, por email.

* Esse é o 102º vinho que comento para nossa Confraria Brasileira de Enoblogs - CBE. 

Saúde a todos!



3 comentários:

Anônimo disse...

quando um vinho é produzido em pequena escala significa que é melhor que os outros?

Reinaldo

Anônimo disse...

Não necessariamente Reinaldo. A filosofia do MOVI dita que o vinhateiro (produtor) deve estar presente em todas as etapas da produção do vinho. Assim, o vinho acaba incorporando mais a alma e a vontade do produtor!
Digamos que é um vinho com personalidade! Agora se é bom ou ruim só você poderá dizer quando o experimentar.
Eu conheço este vinho e digo que é excelente, na minha opinião.

Abs
Denis

Anônimo disse...

Isso depende muito. Tem um vinho brasileiro "de autor" que é de produção muito limitada, mas já bebi o vinho em várias situações e sempre é um vinho estranho. Em alguns casos parece que a "vontade do produtor" pode atrapalhar um pouco, porque não agrada ao gosto da maioria dos consumidores, ao paladar médio, digamos assim.

Alberto Guerra