08 março 2015

Hoje, tanto quanto nos outros dias do ano, nós (mulheres) merecemos um brinde!

Famosa frase creditada a Lilly Bollinger. Foto: Érika Mesquita

Hoje comemora-se o Dia Internacional da Mulher, data reconhecida em 1977 pela ONU, mas já comemorada desde o início do século XX. Nesse dia fico duplamente feliz por receber os cumprimentos como mulher e também por ser meu aniversário. Então, a coluna de hoje não poderia deixar de homenagear as mulheres e, claro, sua ligação com o mundo do vinho.

Embora ainda seja um mundo muito masculino, porque a maioria das pessoas que trabalham nele são homens, como os enólogos, sommerliers, produtores e críticos, há uma série de exemplos atuais e antigos que podem ser lembrados nessa data para que os feitos de mulheres fortes e empreendedoras não caiam no esquecimento.

Como vocês devem saber, estive na Argentina há algumas semanas para participar de várias atividades, dentre elas as festividades de premiação do Argentina Wine Awards, o mais importante concurso do país. E, para minha alegria, o tema desse ano foi o “O poder da mulher no vinho”, com o corpo de juradas composto exclusivamente por mulheres, dentre elas a britânica Jancis Robinson, a mais influente escritora e crítica de vinhos do mundo.

Foi realmente gratificante perceber o quanto as mulheres têm sido valorizadas e seu papel recebido o merecido destaque pelos que trabalham com o vinho, desde os órgãos da imprensa até proprietários de vinícolas, enólogos etc. 

Mas, esse “empoderamento” da mulher não vem de hoje e está ligado à atuação de grandes mulheres do passado, que atuaram especialmente na região dos vinhos mais charmosos do mundo, Champagne.

A viúva mais famosa do mundo do vinho. Foto: http://en.wikipedia.org/wiki/Veuve_Clicquot

A mais famosa delas foi Nicole-Barbe Ponsardin, mais conhecida como Viúva Clicquot. O champagne elaborado pela maison que ela conduziu já no século XIX é uma marca inconfundível atualmente. Ela herdou a empresa aos 27 anos e foi responsável por uma série de mudanças tanto na comercialização quanto na elaboração do champagne. Foi um funcionário da casa que descobriu uma maneira de deixar o vinho livre de resíduos, método que conhecemos por remuage, que consiste em acumular no bico da garrafa as impurezas da fermentação. 

Outra mulher ligada a uma famosa casa de Champagne foi Jeanne Alexandrine Melin, nascida em 1819, conhecida como Viúva Pommery, responsável por dirigir os negócios em lugar de seu marido. Ela expandiu as exportações para a Inglaterra e para agradar ao paladar de seus novos parceiros de negócios, passou a elaborar champagne brut e brut nature, hoje tão conhecidos. Morreu aos 71 anos vendo o champagne Pommery entre os mais prestigiados do mundo.

Madame Lilly Bollinger com seu meio de transporte favorito. Foto: http://www.007museum.com/

Élisabeth Law de Lauriston-Boubers, mais conhecida como Lilly Bollinger, nasceu em 1899 e faleceu em 1977. Sua ligação com o champagne nasceu quando se casou com Jacques Bollinger e quando ficou viúva em 1941 teve que assumir a direção da casa, onde ficou por trinta anos. Ela foi responsável por lançar espumantes safrados de sua marca e torna-la internacionalmente conhecida. 

Em 1973, a produção do filme “007 Viva e Deixe Morrer” pediu à Moët & Chandon que enviasse algumas garrafas para as filmagens, mas o pedido foi recusado. O então presidente da Bollinger, sucessor de Lily, ofereceu as garrafas para as filmagens e para a estreia do filme, fazendo com que a marca aparecesse regularmente dos filmes do espião inglês e sendo conhecida atualmente como “o champagne de James Bond”.

Um brinde a todas as mulheres!

Tim-tim!

Vinhedos da Bodega Salentein, no Vale de Uco, em Mendoza. Foto: Érika Mesquita


Um comentário:

Rodrigo disse...

Que belo post! Parabens a todas voces e obrigado por tudo que fazem para deixar o mundo melhor.