26 março 2015

Os vinhos da Patagônia pelas mãos de Marcelo Miras

Bruno Agostini, Marcelo Miras, eu e um dos filhos de Miras, que também trabalha no projeto familiar.

Na última coluna comecei a contar sobre nossa visita à Patagônia, para conhecer os vinhos argentinos do fim do mundo, que assim podem ser chamados não só pela distância considerável que precisamos percorrer para chegar a essa região, mas também porque suas condições climáticas severas nos dão essa sensação. 

Depois de conhecer a Humberto Canale e provar muitos de seus ótimos vinhos, fomos conhecer o projeto familiar do enólogo Marcelo Miras, principal responsável pelos vinhos da famosa Bodega del Fin del Mundo. E, como disse na coluna de domingo passado, fiquei encantada com sua proposta e principalmente com o resultado na taça.

Na conversa que tivemos ele disse que “não pratica enologia” em seus vinhos, não interfere, não usa maquiagem, para que seus vinhos se apresentem de “cara lavada”. Disse, com orgulho, que utiliza o conceito uva + homem = vinho! E, apesar de trabalhar na maior vinícola da Patagônia revela muita simplicidade ao falar de seus vinhos, que elabora com sua família e sem ajuda de nenhum empregado. Ele, sua mulher e um dos filhos nos receberam com muito carinho. São donos e funcionários do projeto. Não tem como não funcionar!

Ao se apresentar deixa claro que não pertence a uma geração de enólogos, mas a duas delas: “dos enólogos mais jovens eu sou o mais velho”. Experiente, mas inovador.  

Saí de lá ainda mais apaixonada pelo mundo do vinho argentino, especialmente por descobrir muitos deles com uma personalidade tão forte, capazes de acabar com aquela ideia simplista de que todos os vinhos são muito parecidos. 

O apaixonante vinho com Trousseau Nouveau, uva um tanto rara na América do Sul.

Basta um gole de algum dos vinhos de Marcelo Miras para percebermos sua identidade própria. Aliás, eles até possuem uma certa “padronização”, se podemos dizer assim, porque todos são elegantes e com acidez bem presente, feitos para acompanharem uma refeição e não somente servir de aperitivo. Dos brancos elaborados com semillon e chardonnay, o seu rosé de malbec, os excelentes tintos de pinot noir, malbec e cabernet franc, todos possuem essas características. 

Provamos 14 vinhos elaborados por sua família e todos são encantadores. São duas linhas, uma jovem, que busca a expressão mais franca das uvas utilizadas, e outra reserva, com passagem do vinho por barricas de carvalho.    

São vinhos sem disfarces, acompanhados de uma delicadeza intrigante. Para mim a frase que define melhor esse produtor é: a riqueza da simplicidade, que deixei escrita a ele com muito carinho. 

Ganhei uma garrafa de um de seus vinhos, o Trousseau Nouveau 2014, que provocou reações emocionadas quando foi degustado na ocasião. Essa uva é conhecida em Portugal como bastardo e na França como gros cabernet. Possui taninos impactantes e grande acidez, mas a degustação desse vinho em casa será um capítulo à parte, que farei questão de relatar por aqui.

Tim-tim!

Os excelentes Pinot Noir, Merlot e Malbec da linha Reserva.

Três ótimos vinhos da linha Joven: Merlot, Malbec e um Blend da safra 2014.

O vinho da esquerda, da linha Reserva, prova que a Cabernet Franc está se tornando uma uva imperdível na Argentina.



Um comentário:

Le Vin au Blog disse...

Adorei o seu vestido! :)
Bjs,
Rafa