02 agosto 2015

Nasceu na Patagônia argentina, mas tem sotaque francês: Marcelo Miras Joven Trousseau Nouveau 2014


Confesso que não conhecia a uva Trousseau. Não com esse nome, porque já conhecia a Bastardo, de Portugal, que é assim chamada em terras lusas, sendo utilizada para a produção de vinhos do Porto e vinhos licorosos em Setúbal, por exemplo. É uma variedade rústica e de maturação precoce, também encontrada na Austrália, África do Sul, Espanha e França, onde recebe o nome usado nesse vinho. 

Em março, quando minha esposa viajou para a Argentina a convite da Wines of Argentina, trouxe na bagagem esse curioso Trousseau Nouveau, elaborado por Marcelo Miras, na Patagônia. Aliás, essa visita encantou a todos os que participaram dela, como o jornalista Bruno Agostini, que já escreveu a respeito em seu blog (veja aqui). Aqui no blog a Érika também já escreveu a respeito da visita a Miras (relembre). 

Bem! Já que as informações sobre a viticultura praticada por Miras estão nos textos indicados acima, vamos direto ao vinho. 

Na taça apresentou coloração rubi, translúcido, lembrando vinhos com a Pinot Noir ou a Gamay.

Aromas em boa intensidade, indicando elegância desde logo. Servido na casa dos 17 graus o álcool aparece, incomodando um pouco. A indicação, portanto, é de um serviço a uma temperatura mais baixa, na casa dos 12-13 graus. Aromas lembrando frutos silvestres, flores, pó para maquiagem, ervas aromáticas e menta. Boa complexidade.

Parece leve e de pouco corpo quando olhamos sua cor, mas é um vinho marcante, de grande personalidade. Taninos finos, bem acabados, sem arestas. Boa acidez, muita fruta, morango, goiaba e cereja. A complexidade do nariz se repete em boca. Vinho seco e gastronômico.

Final de boa persistência, repetindo todas as sensações anteriores. Enfim, um vinho de muita personalidade, com perfil diferente da maioria dos vinhos sul-americanos, sendo mais parecido com vinhos do Velho Mundo e por isso poderá não agradar aos que não estejam acostumados ao estilo.

Em seu texto, Bruno Agostini escreveu que esse vinho tem um caráter "gevrey-chambertânico”, referindo-se à importante região da Borgonha. Confesso que não tenho autoridade para afirmar o mesmo, mas também não tenho condição de discordar. Na dúvida, Bruno está certo!

  
Detalhes da compra:

Os vinhos de Miras são trazidos pela La Charbonnade, de Canela (RS), mas ainda não trazem esse vinho comentado aqui. Então, não sei quanto custaria no mercado brasileiro, mas os demais vinhos da linha Joven estão na faixa dos R$49 e se esse tiver um preço parecido será uma compra excepcional!

Saúde a todos!



Um comentário:

Ariel Kulas disse...

Ontem eu pode testar a colheita de 2015. Concordo que me fez lembrar de um vinho francês, se não Grevey, o Trousseau cresce bem em Jura. Fez-me lembrar também o pinot, gamay eo Poulsard. Um grande trabalho de Marcelo Miras a um preço razoável. Parabéns por e cumprimentos do Buenos Aires.