04 outubro 2015

A chilena Maquis, vinícola de boutique em terroir único!

O enólogo Rodrigo Romero apresentando seu vinho TOP, um 100% cabernet franc.

Na última terça-feira recebemos aqui em Uberlândia o enólogo Rodrigo Romero, que pela primeira vez veio ao Brasil para apresentar os vinhos da chilena Viña Maquis, uma vinícola boutique que elabora vinhos de grande personalidade e que tem história e filosofia que gostaria de compartilhar com vocês. 

Depois de passar por São Paulo o enólogo-chefe da Maquis veio direto para Uberlândia onde participou de uma degustação promovida pela Wine Home e sua importadora, a Domno do Brasil. Recebidos com o carinho de sempre no charmoso Bistrô Benade, os convidados da noite degustaram alguns dos rótulos da bodega e tiveram oportunidade de conhecer um pouco do que a vinícola está fazendo. 


A Viña Maquis existe desde 1916, quando Don José María Hurtado adquiriu a propriedade e começou a plantar seus vinhedos. Portanto, já são quatro gerações da mesma família no comando do negócio e com experiência para elaborar vinhos realmente diferentes dos padrões a que estamos acostumados quando falamos em Chile. 

Imagem: Maquis/Divulgação

Essa particularidade dos vinhos é resultado de uma localização privilegiada dos vinhedos. Embora estejam no vale do Colchagua, região quente do país, as vinhas da Maquis estão situadas entre dois grandes rios, o Tinguiririca e o Chimbarongo. Esse fato faz com que as temperaturas nos vinhedos sejam mais amenas, o que favorece a elaboração de vinhos com mais fruta fresca e uma acidez natural mais evidente. 

O atual proprietário, Ricardo Rivadeneira Hurtado, juntamente com sua equipe sempre tomaram cuidados para que a vinícola recebesse certificados de sustentabilidade da Wines of Chile, ratificando o cuidado com o meio ambiente através de práticas sustentáveis em todos os processos de produção. Dentre as iniciativas mais relevantes estão a eliminação do uso de herbicidas na maior parte dos vinhedos, melhoria na ventilação dos vinhedos através do manejo da vegetação às margens dos rios, o o monitoramento diário do controle de pragas e a redução do consumo de eletricidade em 30% e de 90% do consumo de gás através da aquisição da primeira bomba de calor geotérmica da indústria chilena. 

Imagem: Maquis/Divulgação.

Atualmente a vinícola elabora um vinho rosé (100% malbec) e os demais são tintos. A linha mais básica já é considerada gran reserva, com quatro varietais: malbec, carmenère, cabernet franc e cabernet sauvignon. Há um vinho premium, o Lien, que é um blend de quatro uvas em que predomina a carmenère, acompanhada por Shiraz, cabernet franc e petit verdot. 

Mas, as grandes estrelas são os dois ultra premium, o Viola Carmenère e o Franco Cabernet Franc. Esses dois com capacidade de guarda para 15-20 anos. Aliás, fiquei muito feliz em encontrar um vinho com a cabernet franc sendo o mais importante de uma vinícola chilena, que na sua maioria preferem outras variedades para elaborar seus ícones. 

Ao provar os vinhos na última terça-feira ficou clara para mim a proposta de elaboração de vinhos frescos e elegantes. São todos vinhos com muita fruta fresca, sem serem pesados ou alcoólicos e o uso da madeira é sempre muito bem dosado. Em sua explicação Romero informou que as barricas utilizadas são de segundo ou até terceiro uso, isto é, barricas que já não interferem tanto nos aromas e sabores do vinho, apenas contribuem para sua elegância. 

Os enólogos Eric e Jacques Boissenot. Foto: http://www.mottox.co.jp/

O enólogo fez questão de ressaltar a contribuição que recebe dos consultores da vinícola, muito conhecidos e premiados na Europa e responsáveis por trabalhos junto a 95% dos Gran Cru Classé de Bordeaux, na França. Desde o início do projeto Jacques Boissenot (falecido em 2014) e seu filho, Eric, tem ajudado a Maquis a elaborar vinhos realmente diferenciados em solo chileno.

Tim-tim!

Nelsir Kuffel (Domno), Rodrigo Romero, Érika Mesquita, Márcio Mortari (Domno) e o anfitrião Washington Mendes (Bistrô Benade).



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