03 janeiro 2016

Valeu a pena esperar oito anos para beber esse Casa Valduga Identidade Arinarnoa 2007


A primeira safra desse vinho (2006) me deixou a impressão inicial de que a Arinarnoa resultava em um vinho mais rústico - na acepção positiva da palavra. A safra seguinte me deu novamente a mesma impressão. Nos dois casos eram necessários alguns anos em garrafa para que toda aquela potência dos taninos pudesse diminuir, bem como a madeira ainda precisava se integrar melhor ao vinho.

Aliás, sempre gostei desse perfil, embora eu saiba que o consumidor padrão prefere vinhos mais prontos para beber, porque quem esperaria cinco, oito ou dez anos para abrir um garrafa? Pois é, pertenço a esse pequeno grupo de malucos!

Pois bem. Sabendo dessa particularidade, optei por deixar o vinho em adega climatizada por algum tempo e na última terça-feira resolvemos abri-lo, com oito anos de idade. E o resultado foi muito bom, dentro do que imaginava. Pena que era a única garrafa!

A Casa Valduga ainda tem essa linha chamada Identidade, com uvas do terroir da Serra do Sudeste, em Encruzilhada do Sul. Por lá se dão bem a Marselan, a Gewurztraminer e a Pinot Noir, por exemplo. Vale a pena experimentar dessa linha o Gran Identidade, um belo vinho para se guardar por muitos anos. 

O vinho de hoje passou oito messes por barricas de carvalho francês e ficou mais 12 meses amadurecendo nas caves da vinícola. Tem 13,5% de álcool e devo observar que o resultado só foi tão positivo porque os anos que ficou aqui em casa foram em temperatura controlada, ao abrigo da luz e garrafa na posição horizontal.

O vinho apresenta borda com discretos reflexos de evolução. 

Na taça a coloração é rubi, com leves reflexos de evolução. Vinho muito aromático, um pouco fechado no início, mas depois abriu-se para frutos vermelhos e negros, algumas especiarias e boa presença do tostado da madeira, tudo em equilíbrio. 

Na boca é encorpado, com taninos ainda rascantes, mas sem a agressividade quando jovem. Grande acidez, muita fruta, ainda bem vivo, tostado da madeira dando complexidade. Discretas notas de evolução da fruta, lembrando compota. Final longo, palato frutado e floral, com presença também da madeira, tostado e chocolate amargo. Álcool sem incomodar em nenhum momento. 

Vinho que ganho equilíbrio e elegância com a guarda. Continua gastronômico e de boa estrutura. Perfil de Novo Mundo, daqueles ótimos vinhos com boa passagem por madeira. Vinho de grande personalidade e isso é importante em um vinho com essa idade. 

Embora esteja em ótimo momento, poderia ser guardado por mais 1-2 anos em perder suas características. 

* Arinarnoa - variedade resultante do cruzamento entre as francesas Merlot e Petit Verdot, realizado em 1956 por um diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas da França – INRA, em Bordeaux. Resulta em vinhos com a potência e coloração densa da petit verdot e a elegância da merlot. O Uruguai também tem elaborado bons vinhos com essa uva.  


Detalhes da compra:

Guardei esse vinho por vários anos, então não me lembro quanto custou, nem haveria de ser um parâmetro no país da inflação e do aumento dos impostos, mas a safra atual é vendida na loja virtual da vinícola por R$64,50. 

Saúde a todos!



2 comentários:

Anônimo disse...

As vinícolas estão mudando o perfil de seus vinhos. Esse Arinarnoa é um exemplo. Hoje esse vinho da Casa Valduga está pronto para beber quando sai para o mercado. Infelizmente todos têm que pagar suas contas e agradar o consumidor é necessário.

Rodolfo Saldanha disse...

Mais um belo exemplo de q o vinho brazuca possui potencial de guarda.