07 fevereiro 2016

Um clássico argentino, pelas mãos de um francês: Clos de Los Siete 2012


Nas férias podemos mais do que o normal. Em plena terça-feira está autorizado abrir um vinho tinto mais potente, boa passagem por madeira, com boa fama e boas expectativas. Na adega, um argentino elaborado para ser um ícone do país, com interferência direta do francês Michel Rolland. Pronto! Era o que precisávamos.

A elaboração fica por conta da Bodega Clos de Los Siete, empreendimento que reúne quatro bodegas dirigidas por famílias procedentes de Bordeaux, com 850 hectares de vinhedos aos pés da Cordilheira dos Andes, no Vale do Uco, em Mendoza.

O vinho é um blend de seis variedades: 57% Malbec, 18% de Merlot, 14% Cabernet Sauvignon, 9% Syrah e 2% Pedit Verdot. Finalizado o corte o vinho passa 11 meses por barricas de carvalho francês, divididas igualmente entre barricas novas, com um ano de uso e com dois anos de uso. Quando isso acontece é interessante, porque o enólogo deseja que a interferência do carvalho não seja tão intensa e aporte elegância ao vinho.

Na taça é rubi, brilhante, denso, com lágrimas grossas na taça.

Bons aromas, frutos negros maduros, ameixa, amora, lembrança pela passagem por madeira, sem se sobrepor à fruta, notas mentoladas e especiadas em segundo plano. Um pouco de álcool no nariz no início da degustação (14,5%).

Em boca, é encorpado. Taninos ainda vivos, mas o vinho é muito macio e amigável. Acidez mediana. Fruta abundante, frutos negros, especiarias, tostado da madeira. Embora tenha muita fruta, não é enjoativo como alguns vinhos com esse perfil.

Final longo, com notas frutadas e amadeiras (baunilha, tostado e cedro) em boa composição. É potente, por isso é indicado para acompanhar comida, pois como aperitivo tem potência de sobra. A importadora indica assado de tiras, carré de cordeiro, risoto de funghi, medalhão de filé-mignon e picanha invertida.

Vinho com estilo de Novo Mundo, frutado e potente, com boa passagem por madeira, mas com um conjunto muito interessante, capaz de evoluir com mais alguns anos de guarda, talvez mais 2-3 anos, sem perder qualidades.  

* Devo confessar que ao ler o nome de Michel Rolland como consultor de qualquer vinho que abro sempre aparece um ponto de interrogação em minha cabeça, porque há muitas referências ao enólogo-consultor-global como um dos responsáveis pela "padronização" dos vinhos de Bordeaux e de outras plagas. 

Nada que a verdade do vinho na taça não apague (ou confirme). Foi o que aconteceu com esse vinho. Esperava menos e encontrei mais. 


Detalhes da compra:

O vinho é importado pela Wine e atualmente é vendido em seu site por R$ 98, mas para os associados de seus clubes o vinho sai por R$ 83. 

Saúde a todos!



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