05 junho 2016

Vinhas de 75 anos deram ótimo resultado nesse Canepa Genovino Carignan 2010

Foto: Instagram @vinhoparatodos

Existe um livro que gosto muito, da jornalista Jancis Robinson, chamado "Como degustar vinhos", publicado pela Editora Globo. Em minha opinião é o mais completo guia de degustação que temos no mercado editorial brasileiro. 

Mas, sobre a uva carignan, com a qual o vinho de hoje é elaborado, a autora não é muito otimista. Veja o que ela diz (p. 155):

"foi por muitos anos, de longe, a uva mais plantada na França, porque era muito comum nas planíceis de alto rendimento do Languedoc. Seu cultivo era extremamente fácil em uma área em que os viticultores não se preocupavam em usar fios para expor ao sol as frutas e as folhas e deixavam a vinha crescer livremente em arbustos que se espalhavam pelo vinhedo. O vinho resultante era quase muito áspero e tinha um aroma rançoso e tosco (...). Não é uma uva nobre em minha opinião, embora as vinhas antigas ajudem". 

Com esse relato vindo de uma profissional tão gabaritada você compraria um vinho em faixa de preços não muito acessível (acima dos R$100) e ainda por cima para guardá-lo? 

Se a resposta for não, compreendo perfeitamente! Mas, contrariando a opinião da jornalista inglesa e considerando que desde 2007, no Vale do Maule, os chilenos estão apostando nessa uva para elaboração de grandes vinhos, resolvi apostar. Até porque bodegas importantes, como De Martino, Odfjell e Gillmore passaram a realizar experiências com a uva. 

Essa garrafa eu comprei em 2014. É elaborado pela Viña Canepa a partir de vinhas com mais de 75 anos de idade, passagem de 12 meses por barricas de carvalho e potencial de guarda variando entre 10 e 12 anos, segundo a vinícola. 

Já com seis anos de idade imaginei que fosse um momento interessante para abri-lo. Na taça tem coloração rubi, sem notas de evolução. Aromas em boa intensidade, elegantes, lembrando frutos vermelhos e negros, lembrança da passagem por madeira (leve tostado) e especiarias. Na boca tem corpo médio, taninos firmes e acidez mediana. Fruta e madeira em ótimo equilíbrio. Final de boa persistência. Tem 13,5% de álcool, sem incomodar.

Vinho mais elegante do que potente. Parece que a idade deixou o vinho mais dócil, não se parecendo com os parrudos cabernet sauvignon ou carmenère chilenos. Boa aposta da vinícola, sem dúvida.      


Detalhes da compra:

Não me lembro quanto paguei pela garrafa em 2014, mas atualmente é vendido na faixa dos R$130-150.

Saúde a todos!



2 comentários:

Ewertom Cordeiro disse...

Belo vinho! Degustei a safra 2009 e tenho a 2010 na adega!

Saúde e bons vinhos sempre!

Administrador disse...

Valeu, Ewerton.

Saúde sempre!